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Mais crédito imobiliário

A contratação de crédito imobiliário superou largamente todas as expectativas em 2009. Os recursos originários da Caderneta de Poupança, da ordem de R$ 32 bilhões, financiaram cerca de 310 mil imóveis, superando em R$ 4 bilhões a estimativa feita no início do ano passado.

Para 2010, esses recursos deverão ter aumento de cerca de 50%, na estimativa da Abecip (reúne as entidades de crédito imobiliário). Estima-se que R$ 48 bilhões da Poupança deverão financiar cerca de 400 mil moradias.

Em 2009, o volume de contratações do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para a habitação foi de R$ 19,6 bilhões. O governo espera elevá-lo para R$ 24 bilhões em 2010, um aumento de 22%.

Se a essas cifras somarmos outros R$ 9,3 bilhões do Orçamento Geral da União reservados à moradia, teremos R$ 81,3 bilhões destinados ao financiamento da habitação em 2010, uma oferta massiva e recorde.

Vários aspectos favorecem essa expansão do crédito imobiliário. A estabilidade econômica prevalece. O emprego e a renda aumentaram. Os financiamentos apresentam condições atrativas, como juros acessíveis e prazos mais longos. As construtoras oferecem opções para todas as faixas de renda.

Um fator de destaque desta expansão é o número crescente de mutuários de baixa renda, e que deverá crescer ainda mais em 2010 por conta do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida.

Até 24 de dezembro, o programa já havia aprovado a construção de 247,9 mil moradias, 60% das quais destinadas a famílias com renda mensal de até 3 salários mínimos. E a Caixa Econômica Federal analisava projetos para a construção de mais 619,3 mil unidades habitacionais distribuídas por 3.060 empreendimentos. Agora, só falta equacionar um número maior de projetos para a baixa renda na cidade de São Paulo.

Neste cenário, a construção habitacional deve crescer em 2010, o que por sua vez levará a uma recuperação plena da indústria de materiais do setor, cujas vendas haviam declinado em 2009 como reflexo da crise. Hoje, esse segmento dispõe de plena capacidade para atender ao aumento da demanda. E tem consciência de que precisará incrementar sua capacidade instalada para dar conta do que está por vir. O SindusCon-SP estará atento se surgirem problemas localizados de abastecimento.

Paralelamente, iniciativas como a da CompraCon-SP (Associação de Compras da Construção Civil no Estado de São Paulo), aproximando as construtoras de seus fornecedores, já estão ajudando a organizar a demanda com antecedência e a prevenir sobressaltos.

Nos cálculos do Banco Central, o crédito imobiliário aumentou e hoje representa 2,9% do PIB. Mas ainda há um largo espaço para crescer, considerando-se que este percentual atinge 65% nos Estados Unidos, 17% no Chile e 13% no México.

Mas se a habitação vai bem, a situação no saneamento básico é preocupante. Em 2009, os financiamentos do FGTS às companhias de água e esgoto foram de apenas R$ 1 bilhão, uma queda de 72% em relação aos R$ 3,7 bilhões aplicados pelo Fundo em 2008. Faltam projetos e condições de acesso ao financiamento. Este gargalo precisa ser urgentemente superado.

Fonte: Folha de São Paulo

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