Conciliar o desenvolvimento econômico com a conservação do meio ambiente é um ideal bastante difundido na atualidade. No entanto, de acordo com o consultor do Sebrae, Nelson de Almeida Junior, poucas são as empresas que de fato buscam a qualidade de gestão ambiental. “Empresas mais antigas no mercado pertencem a um tempo em que não havia o mesmo comprometimento com o meio ambiente que hoje. No entanto, garantir práticas sustentáveis pode possibilitar diversos benefícios para a empresa”.
Almeida presta consultoria especializada para empresários que desejam adquirir a licença ambiental, um documento exigido pela Lei nº 6.938 para atividades que podem causar danos à natureza - seja no uso do espaço, como no turismo e hotelaria, seja na exploração e destinação de dejetos. “Não se trata apenas de seguir a legislação, mas de estar apto a fechar contrato com novos clientes”, relata. “Muitas empresas, em especial às com capital na bolsa de valores, têm como exigência que os empreendimentos terceirizados possuam este documento”.
Esta situação foi o que vivenciou a WMI, empresa de manutenção industrial de Corumbá. Segundo seu proprietário, Marcos Tudela Junior, “foi devido à licença ambiental que conseguimos vencer o pregão da Marinha do Brasil. Estávamos em terceiro lugar, mas só nós possuíamos o documento”. A atividade, no caso, era a limpeza dos tanques de combustível dos navios. “O normal é que todo óleo residual fosse jogado direto no Rio Paraguai. Nós armazenamos tudo”, conta.
Para conseguir a licença, a empresa pagou uma taxa de R$ 400 para a prefeitura. No entanto, os verdadeiros gastos ficam por conta da adequação às boas práticas ambientais. É o que expõe Lourival Vieira Costa, proprietário da Sulocana – empresa que atua na limpeza e manutenção de veículos. “No início, não sabíamos o que fazer com o óleo que sobrava. Tivemos que investir numa solução e hoje trabalhamos com resíduo zero. Tudo que sobra vira subproduto”.
O empresário encontrou uma empresa licenciada que compra os galões de óleo usados, e conseguiu transformar o que seria dejeto em lucro. Além disso, passou a separar os metais vendidos como sucata. “Assim, eu consigo vender só o que é alumínio - por exemplo - e consigo um preço 20 vezes maior do que tudo misturado”.
Outra possibilidade que a consciência ambiental traz para o empreendedorismo é a aposta em empresas que investem em atividades sustentáveis. Percebendo a abertura desse nicho de mercado, o empresário Paulo Cezar Gonçalves, abriu em 2004 a Toalheiro Campo Grande. “Quando você trabalha em determinados segmentos, uniformes, luvas e botas precisam de uma lavagem especializada para impedir que os resíduos sejam despejados no meio ambiente. Nós separamos os efluentes e reutilizamos a água nas máquinas de lavar”, relata. A empresa, que no início somava no máximo 80 clientes, atende hoje a mais de 300 empreendimentos que se adequaram às normas legais.