Caixa amplia prazo de pagamento e financia até 100% de imóvel usado

Quinta-feira, 15 de maio de 2008

Caixa amplia prazo de pagamento e financia até 100% de imóvel usado

Quinta-feira, 15 de maio de 2008

Novas regras valem para linha de crédito a famílias com renda de até R$ 4.900

A Caixa Econômica Federal (CEF) anunciou ontem, no primeiro dia do Feirão da Casa Própria em São Paulo, mudanças no financiamento com recursos do FGTS, direcionado a famílias com renda até R$ 4.900: já é possível financiar 100% - e não apenas 80% - do valor do imóvel usado de até R$ 130 mil. Além disso, o prazo foi ampliado de 25 para até 30 anos (o teto só vale para financiar 80%). O setor comemora a ampliação da fatia a ser emprestada e do tempo para se pagar ao banco. No entanto, especialistas prevêem aumento de até 5% no preço dos imóveis devido ao aumento da demanda.

Não houve mudanças nas taxas de juros - que variam de 6% a 8,16% ao ano, mais Taxa Referencial de Juros (TR). Os juros são reduzidos em 0,5% para os trabalhadores com mais três anos de depósitos no FGTS.

No pagamento em até 240 meses, o cliente pode financiar o valor total do imóvel. Até 300 meses, 90%. De 301 a 360 meses, até 80% da quantia.

De acordo com Maria Fernanda Ramos Coelho, presidente da Caixa, o perfil de quem faz o financiamento da casa própria vem mudando nos últimos anos:

- Jovens são os principais compradores e eles financiam o imóvel que cabe no bolso.

Pesquisa divulgada ontem aponta que pessoas de 26 a 35 anos representam 45% dos compradores. Em segundo lugar, quem tem de 36 a 45 anos (26%), e, em terceiro, quem tem até 25 anos (14%). Do total, 69% são homens e 31%, mulheres.

Na avaliação de João Teodoro, presidente do Conselho Federal de Corretores de Imóveis (Cocefi), as mudanças no financiamento da Caixa devem provocar alterações nos programas dos demais bancos.

- Os consumidores devem ficar atentos ao que os outros bancos oferecem. E não deixar de comparar taxas e prazos - disse Teodoro, para quem a demanda pode elevar os preços em torno de 3%.

Para Casimiro Vale, presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Rio (Creci-RJ), a ampliação do prazo de financiamento desonera o consumidor, que, muitas vezes, financiava parte da casa na Caixa e outra parte num outro banco. Além disso, dará mais acesso ao primeiro imóvel:

- Por outro lado, pode haver um pequeno aumento nos preços. De até 5%.

Instituição faz convênios para descontar prestação em folha

A Caixa está fechando convênios com empresas para oferecer o financiamento aos funcionários com desconto na folha de pagamento. Como vantagem, os empregados poderão contratar crédito com juros mais baixos que as linhas oferecidas pelo banco. Até o momento, a CEF formalizou o convênio com os fundos de pensão Funcef (dos empregados da Caixa), Petros (da Petrobras) e Previ (do Banco do Brasil). Para o setor privado, foram assinados acordos com as centrais Força Sindical e CUT. Os sindicatos das categorias devem formalizar o acordo com as centrais sindicais, para depois oferecer aos trabalhadores.

O Conselho Curador do FGTS decidiu neste mês aumentar o subsídio na compra da casa própria para quem tem renda familiar de até R$ 1.875. O benefício agora é válido na compra de imóveis novos ou em construção.

- Antes, o subsídio era dado apenas para renda de até R$ 1.125, mas foi ampliado - afirma Maria Henriqueta, assessora técnica do conselho.

Quem adquirir imóveis usados e tiver renda entre R$ 1.125 e R$ 1.875 não terá direito ao subsídio. Neste caso, terá taxa de juros reduzida, para 6%, como já ocorre. Quem ganha acima desse valor, até R$ 4.900, paga juros de 8,16%. O subsídio máximo é de R$ 14 mil. Quanto menor a renda, maior o subsídio.

O maior déficit habitacional está concentrado na faixa de quem recebe até cinco salários mínimos, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego.

As condições do empréstimo

QUEM PODE PEDIR O CRÉDITO: Famílias com renda de até R$ 4.900 por mês.

VALOR MÁXIMO DO IMÓVEL: Até R$ 130 mil para municípios das áreas metropolitanas do Rio, de São Paulo e de Brasília. Em cidades com população igual ou superior a 500 mil habitantes, municípios do entorno de Brasília, demais capitais estaduais e regiões metropolitanas, limite de R$ 100 mil. Nas outras cidades, de R$ 80 mil.

LIMITE FINANCIADO: Para pagamento em até 240 meses, o cliente pode financiar até 100% do valor do imóvel. Em até 300 meses, a parcela financiada pode ser de até 90%. De 301 a 360 meses, de 80%.

JUROS: Em caso de renda familiar bruta de R$ 380 até R$ 1.875, taxa de 6% ao ano. De R$1.875,01 a R$4.900, 8,16% ao ano. Em todos os casos, também há cobrança de TR.

RECURSOS: A linha usa recursos do FGTS para financiar os imóveis. Não é necessário ter depósitos na conta do FGTS para contratar o serviço.

DOCUMENTAÇÃO: É preciso entregar à Caixa documentação pessoal, como identidade, CPF, certidão de casamento, declaração de Imposto de Renda. O banco fará Pesquisa Cadastral e a Análise da Capacidade de Pagamento. Com a Carta de Crédito, é preciso pegar a documentação do imóvel para que sejam providenciadas as avaliações do imóvel e de risco da operação.

Fonte: O Globo

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