
Após a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), iniciada em abril de 2009 e com término programado para dezembro deste ano, os materiais de construção tiveram suas vendas aumentadas em 20%, no período de 12 meses (abril de 2009 a abril de 2010). O desempenho do mercado de varejo foi medido pela Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco) junto aos seus associados.
O estudo da associação mostra que, entre os produtos desonerados (25% do mix das lojas), o cimento teve a maior procura, com crescimento de 25%. Em segundo lugar vem o segmento de tintas, com aumento de 23% no volume de vendas, seguido por revestimentos cerâmicos (19%), argamassas (15%) e metais sanitários (12%).
Para a Anamaco, a redução foi uma das principais responsáveis pela recuperação do setor. “Iniciamos 2009 com uma retração nas vendas de 12% no primeiro bimestre, e só começamos a melhorar esse índice depois que a desoneração foi implementada”, comenta Cláudio Elias Conz, presidente da entidade.
De acordo com Conz, na prática, a desoneração reduziu os preços dos produtos em torno de 8,5%. “Quem sentiu mais os efeitos foram os consumidores de menor poder aquisitivo, que geralmente fazem mais pesquisas de preço e optam pelos produtos mais em conta. Para quem estava construindo uma casa popular (em torno de R$ 40 mil), o benefício significou uma economia de aproximadamente R$ 1,5 mil; ou a construção de um banheiro”, completa.
Na avaliação da Anamaco, o setor começou a perceber os efeitos da redução do IPI dois meses após o anúncio da medida. “No início, as lojas trabalharam com preços médios, porque os estoques ainda estavam com mercadorias antigas, não beneficiadas pela redução, e o giro no setor é de 60 a 90 dias. Em contrapartida, o consumidor já estava solicitando o desconto no balcão”, relembra o dirigente.
“No nosso caso – continua -, foi um pouco diferente do estímulo aos demais setores, porque as reformas têm que ser planejadas, nem que seja minimamente. Ninguém entra em uma loja de material de construção e compra por impulso. Por outro lado, essa característica contribuiu para o crescimento nas vendas de produtos sem IPI reduzido”.
O varejo de material de construção fechou o ano de 2009 com crescimento de 4,2% sobre 2008 e faturamento histórico de R$ 45,04 bilhões. “Além da desoneração, outros fatores importantes para este desempenho foram: o aumento efetivo da renda da população (segundo o IBGE, 27 milhões de pessoas migraram das classes D e E para a classe C nos últimos anos); o programa Minha Casa, Minha Vida; o PAC e já um início de obras para a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016”, diz Conz. Ele acredita que a manutenção da desoneração do IPI até o final do ano vai ajudar a manter o setor aquecido.
“Antes de revelada a decisão do governo em prorrogar a isenção, estávamos passando por um período de antecipação de compras, principalmente nos 30 dias anteriores ao anúncio, o que causava desconforto e até a previsão de falta de produtos. No entanto, a prorrogação possibilitará que as construtoras planejem melhor as suas obras; e que os programas do governo federal - Minha Casa, Minha Vida 1 e 2 e o PAC 1 e 2 não pressionem os nossos preços. ou causem desabastecimento”, finaliza o presidente da Anamaco.
Desempenho em 2010 - Segundo a Anamaco, o varejo de material de construção apresentou um crescimento de 4,3% em abril sobre o mês de março de 2010. Já na relação abril de 2010 sobre abril de 2009, as vendas foram 7% superiores.
No acumulado de 2010 (janeiro a abril), o setor teve 8% de aumento no volume de vendas, sobre o mesmo período de 2009. No acumulado dos últimos 12 meses, o crescimento é de 4,5%. A entidade prevê para 2010 um crescimento de 10% sobre os resultados do ano anterior.
