Construção civil ultrapassa estimativas, encarece material e impõe cota

Quinta-feira, 17 de junho de 2010

Construção civil ultrapassa estimativas, encarece material e impõe cota

Quinta-feira, 17 de junho de 2010

Construção civil ultrapassa estimativas, encarece material e impõe cota - Imagem principal

A todo vapor, a construção civil cresceu acima da capacidade de produção das indústrias e o resultado são materiais básicos cada vez mais caros e até mesmo cota para garantir que todos sejam atendidos.

O presidente licenciado do Sinduscon/MS (Sindicato da Indústria da Construção Civil de Mato Grosso do Sul), Amarildo Miranda Melo, afirma que a previsão de crescimento da construção, que era de 7,5% a 8% neste ano, em Mato Grosso do Sul, foi revista e pode atingir os 10%. “Acima de 7,5% já teremos problema de desabastecimento, inevitavelmente”, avisa.

Segundo ele, no último mês o preço do aço já aumentou 10% e deve subir mais 12% em julho. Também está mais caro o cimento e tijolo. Há dois meses encontrado a R$ 18,00, o saco de 50 kg de cimento hoje é vendido, em média, a R$ 21,00. O milheiro do tijolo que custava R$ 360,00 hoje já chega a R$ 450,00.

A entrega também está demorando mais. “Às vezes uma semana, uma semana e meia”, diz o empresário, que acrescenta, ainda que para muitos materiais foram estabelecidas cotas para compra. O problema atinge também telhas de cerâmica e começa a se manifestar com a redução de oferta de madeira.

A falta de mão-de-obra qualificada é outro entrave. Um exemplo é a busca de mais de 500 trabalhadores para a Homex, na qual a Funsat está empenhada desde o fim do mês passado. Os salários vão de R$ 750,00 para servente a R$ 5 mil, para engenheiro.

Para Amarildo, o problema é a falta de planejamento do governo, ao programar o crescimento da construção civil. “É preciso reunir toda a cadeia, estabelecer um plano de longo prazo que respalde a ampliação das indústrias, porque elas precisam ter garantias de retorno para investir na compra de maquinários, ampliação de suas instalações e contratação de mão-de-obra”, observa.

Sem planejamento, os investimentos entram em descompasso com a oferta de material e recursos humanos, processo que deve se acentuar a partir do segundo semestre deste ano, prevê o Sinduscon.

A última pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgada no início deste mês aponta que em apenas cinco meses o custo do m² construído aumentou em 5,5% em Mato Grosso do Sul, o que para uma casa de 100 m² a desembolso extra de quase R$ 4 mil. Não é considerado no cálculo o valor do lote, apenas o material e mão-de-obra.

No mês passado o valor necessário para construir cada m² entre mão-de-obra e material ficou em R$ 727,91. Amarildo afirma que para casas de padrão “A” o custo médio do m² já está em R$ 1,6 mil.

Pintando tudo

Nos primeiros meses de 2010 as vendas de tintas também registraram ótimo desempenho, crescendo mais de 10% em comparação com o mesmo período de 2009, devido a uma vigorosa saída da crise e à recomposição de estoques no varejo. Esse resultado levou à necessidade de rever as previsões feitas no final do ano passado, que indicavam um crescimento de cerca de 3,5% para este ano.

"Nossa estimativa foi alterada para 7% em função das fortes vendas e das boas perspectivas que existem para as tintas imobiliárias, automotivas (originais e de repintura) e para diversos tipos de tintas industriais", explica Antonio Carlos de Oliveira, presidente do Conselho Diretivo da ABRAFATI (Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas).

As tintas imobiliárias mantêm um ritmo forte de vendas desde o segundo semestre de 2009, acompanhando o que acontece com a construção civil. Para este ano é esperado um crescimento da ordem de 8%, muito superior ao de 2009, cujo índice ficou em 0,7%. "A maior oferta de crédito, a extensão dos prazos de pagamento, o aumento da renda e a redução do desemprego contribuem para estimular a construção habitacional e as reformas".

"Ao mesmo tempo, há mais recursos para financiamento de imóveis habitacionais e o governo segue incentivando a construção de moradias, com o programa Minha Casa, Minha Vida. Todos esses fatores impactarão positivamente as vendas de tintas imobiliárias", avalia Oliveira. A expansão da infra-estrutura em geral e as diversas obras públicas que estão em fase de inauguração são outros fatores que contribuem para o crescimento.

Fonte: Redação, com informações do Campo Grande News


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