
O aquecimento da economia brasileira, em especial do setor de construção civil, trará um problema crítico nos próximos anos: a escassez de mão de obra. Para o professor Fernando Garcia, da FGV, com o aumento do emprego formal e a melhora no nível de qualificação da mão de obra, o setor de construção vai ter de disputar mais os profissionais. “O setor vai ter que encontrar meios de se tornar bastante atrativo”, disse o professor durante a reunião do Grupo de Trabalho de Mão de Obra com os GTs de Habitação e Infraestrutura, em 20 de setembro.
Dados do Sinduscon e FGV mostram que, de julho de 2010 até agora, houve um crescimento de emprego de 1% ao mês. O ritmo de contratações vem superando o de demissões e o estoque aumentando 1% ao mês desde janeiro de 2007 com tendência de alta. No segundo trimestre de 2010, segundo a FGV, houve um crescimento sustentável em todas as frentes.
“De acordo com esses dados, o emprego na construção civil está crescendo em todas as regiões do País, de 9% a 10% ao ano nas regiões Sul e Sudeste e de 24% a 25% ao ano no Nordeste. A mão de obra qualificada nas construtoras e as vendas de materiais de construção de comércio varejista - que apontam também a demanda por produtos que vem do setor “formiguinha” e para construção de autogestão e que também vão demandar mão de obra para reformas - estão crescendo ao ano à taxa de 20% acima da inflação”, alertou Garcia.
A terceirização e a redução da jornada de trabalho também são preocupações do Grupo de Trabalho que estuda a mão de obra no Brasil. Segundo José Carlos de Oliveira Lima, vice-presidente da entidade, membro do Conselho Superior da Construção e diretor-titular do Deconcic, o futuro da mão de obra no Brasil é preocupante.
“Seja na indústria de materiais de utilização de capacidade instalada seja na economia como um todo – em que a taxa de desemprego teve forte redução – o contingente de mão de obra, que pode ser capturado rapidamente e treinado para ser colocado numa obra está desaparecendo. E a tendência é que nesse ciclo de crescimento com os eventos da Copa do Mundo, Olimpíadas e Pré-sal a demanda por de mão de obra aumente ainda mais. A expectativa é que a taxa de desemprego se reduza mais na próxima década e chegue ao patamar dos anos 70, época em que a cadeia de construção civil teve um bom desempenho no Brasil com taxa de desemprego de 3,5 a 4,5% ao ano”, disse Garcia.
