Até 1998, 40% da população brasileira tinha menos de 18 anos. Este ano, segundo estimativas da Fundação Getúlio Vargas, 40% da população tem entre 13 e 35 anos e até 2022, com o aumento da expectativa de vida, essa faixa subirá para 25 a 55 anos.
Ou seja, os 40% da população que tinham necessidades básicas de ensino, por exemplo, daqui a 10 anos vão formar família e precisar de habitação. Junto com a moradia, virão as exigências de saneamento básico e infraestrutura urbana, além de outros serviços, de acordo com estudos da FVG.
Com isso, segundo explicou nesta segunda-feira (13/9/2010) o professor Fernando Garcia, da FVG – durante a terceira reunião do Grupo de Trabalho de Habitação, do Comitê Estratégico Técnico do Construbusiness, do Departamento da Indústria da Construção, Deconcic, da Fiesp – o Brasil, que tem um déficit atual de 7 milhões de unidades residenciais, vai precisar de cerca de 30 milhões de habitações até 2022.
Em 1998, o Brasil tinha 166 milhões de habitantes, de acordo com dados atualizados do IBGE. Este ano já somos 193 milhões e essa população deverá crescer para 209 milhões, em 2022, segundo explicou o professor da FGV:
“Além desse crescimento demográfico, a mudança de faixa etária – que se imaginava só aconteceria em 2028/2029 – vai pressionar a necessidade habitacional, gerando um boom de demanda”, informou Fernando Garcia.
Segundo o presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Construção, Melvyn Fox, no passado a grande preocupação do setor da construção era gerar demanda, enquanto hoje precisa atender a demanda crescente:
“O foco do Construbusiness mudou. O Brasil que queremos em 2022 não cabe no Brasil que temos hoje”, disse.
Por isso, de acordo o coordenador do GT de Habitação, João Cláudio Robusti, “é preciso atender a demanda com sustentabilidade”.
Robusti pediu aos consultores da FVG Projetos para traçar três cenários de necessidades do setor habitacional para que o GT possa apresentar ao 9º Construbusiness uma proposta realista, porém sustentável.
O diretor de Competitividade do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Marcos Otávio, propôs a divisão dos temas, condicionantes e fatores críticos na construção por blocos, aglutinando temas afins.