
Em entrevista exclusiva, o engenheiro civil Fernando Quevedo afirma que o Brasil não corre o risco de uma bolha imobiliária, como nos EUA em 2009. No entanto, é preciso muita cautela com o aumento no valor dos imóveis, principalmente dos terrenos.
Em 2010 vimos o mercado imobiliário crescer vertiginosamente. Com isso, os valores dos imóveis inflacionaram e alguns terrenos em Campo Grande valorizaram 7 vezes o valor de 2008.
O programa habitacional do governo federal Minha Casa, Minha Vida conseguiu atingir a meta de um milhão de moradias contratadas até o final de 2010. De acordo com dados da Caixa Econômica Federal, até o dia 30 de dezembro, as contratações somaram 1,003 milhão de unidades em todas as faixas de renda. Os investimentos totalizaram R$ 52,98 bilhões. Até 2014 o governo quer completar 2 milhões de moradias.
Muito dessse crescimento se deve a possibilidade de utilizar os valores acumulados no Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Ao todo, em 2011, serão destinados R$ 4,5 bilhões do FGTS para aplicação em moradias. Para se ter uma idéia, em 2003, apenas R$ 450 milhões foram direcionados para essa área.
Fernando Quevedo, engenheiro civil com 30 anos de experiência na construção de empreendimento urbanos e rurais, pode ser considerado um espectador privilegiado do ramo, tendo vivido as diversas altas e baixas da economia do país, afirma que o segmento imobiliário é um dos mais sensíveis a quaisquer oscilações.
Quevedo acredita que em 2011 deve-se, apesar do mercado imobiliário se manter aquecido, tomar especial cautela (referindo-se tanto a interessados em seu primeiro imóvel como a investidores e empresários do setor), após algumas constatações que devem apresentam pouca possibilidade de mudanças. “Os inúmeros lançamentos imobiliários deste ano com financiamento já aprovados e alguns até já parcial ou totalmente vendidos, até por inércia, garantem a continuidade do andamento do setor no mesmo passo. Entretanto, apesar do ambiente externo de opinião francamente favorável, devido a expectativas do público interno com relação ao novo governo federal, a liberação de crédito tende a ser dificultada, com isso acredito que neste ano deve diminuir ímpeto de novos lançamentos. Claro está que diversos empreendimentos, especialmente aqueles fora da fase de gestação, que já estão prontos, serão apresentados ao mercado, mas com menos afoiteza que no último semestre de 2010”, afirma Fernando.
O engenheiro ainda acredita que alguns outros fatores também tendem a influenciar na diminuição das negociações no mercado imobiliário. “A saturação do mercado em determinados tipos de imóveis, com a conseqüente dificuldade de negociação também é outro fator a gerar cuidados, especialmente considerando que o custo final, particularmente no nosso estado, esta sendo muito afetado pelos custos dos terrenos que subiram demasiadamente.
O que também pode inibir um pouco o fluxo de empreendimento este ano são os grandes eventos esportivos que acontecem no país futuramente: a Copa do Mundo de Futebol de 2014 e as Olimpíadas do Rio de Janeiro de 2016. Esses tipos de eventos tendem a transformar os países sede em verdadeiros canteiros de obras. Em 2010 vimos a falta de cimento, material básico para obras. “A falta de estrutura do país de maneira geral gera desconfianças com relação as suas possibilidades e particularmente as do setor. A carência de mão de obra especializada, a demora na entrega de materiais de construção devido a falta do mesmo ou das condições de atendimento das lojas/fábricas, com o conseqüente aumento de seu custo, tudo frente a um mercado cada vez mais consciente e bem informado e com uma legislação de defesa do consumidor cada vez mais atuante também tendem a inibir investimentos.
