Americanos de olho na construção de moradias populares no Brasil

Sexta-feira, 4 de julho de 2008

Americanos de olho na construção de moradias populares no Brasil

Sexta-feira, 4 de julho de 2008

Escaldados pela crise financeira deflagrada pelas hipotecas de alto risco (subprime) nos Estados Unidos, investidores americanos e inclusive fundos de pensão estão buscando mercados onde o setor imobiliário é mais estável. E o Brasil começa a atraí-los, segundo informou ontem Nei Cristofolini, superintendente regional da Caixa Econômica Federal nos EUA.

Eles se mostram interessados em investir especificamente em empresas de construção civil brasileiras, devido ao crescimento da procura por imóveis no país, motivada pela expansão do crédito bancário para os interessados na compra da casa própria.

Caixa quer ampliar oferta de imóveis para reduzir preço Com isso, a Caixa passou a cortejar esse tipo de investidor estrangeiro. De acordo com Cristofolini, eles estão sendo atraídos sobretudo pelo segmento de construção de residências para famílias de baixa renda: Nós temos bastante capital para oferecer a essas famílias no financiamento da compra de imóveis, mas a oferta de unidades residenciais nessa faixa ainda é pequena.

Por isso, nos interessa atrair investidores que banquem a construção. Quanto mais imóveis forem erguidos, mais acessíveis serão seus preços e, portanto, mais gente estará interessada em adquiri-los. Ou seja: é um bom negócio para os construtores, para os seus financiadores e também para a Caixa disse Cristofolini em entrevista ao GLOBO.

Ele participou de um dos painéis de exposição de projetos de infra-estrutura do Brasil, ontem, no Fórum Anual de Liderança Latino-Americano, organizado pela CG/LA Infraestructure.

O executivo exibiu os dois planos que mais interessam à Caixa no momento: o da urbanização do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, que integra o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), e o da Proteção das Fontes de Água (represas Guarapiranga e Billings), de São Paulo. Ambos os projetos também implicam a construção de unidades residenciais nas favelas daquelas duas áreas.

O executivo disse aos investidores que o governo está procurando "desobstruir os gargalos que ainda existem no setor de infra-estrutura", além de melhorar o sistema tributário para reduzir seu peso sobre o setor privado.

Pouco depois, na entrevista, Cristofolini, que está baseado em Jersey City, cidade vizinha à Nova York, contou que dias atrás a Caixa fez uma apresentação desses programas à financeira Merrill Lynch, e um de seus clientes imediatamente se interessou em participar: Assim que ouviu nossa exposição, esse investidor decidiu aplicar US$ 200 milhões em firmas de construção no Brasil contou ele, acrescentando que vários outros demonstraram inclinação em fazer o mesmo.

De acordo com o executivo, para cada US$ 1 milhão investido em construção no Brasil, são criados cem empregos diretos e indiretos.

Fonte: O Globo


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