Com mão-de-obra qualificada, detentos do estado ganham espaço na construção civil

Quarta-feira, 16 de junho de 2010

Com mão-de-obra qualificada, detentos do estado ganham espaço na construção civil

Quarta-feira, 16 de junho de 2010

Mato Grosso do Sul possui atualmente um déficit de 10 mil trabalhadores na área de construção civil. Só na capital a carência é de cinco mil profissionais, conforme dados do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon). A previsão é de que com início das obras da Copa do Mundo de Futebol de 2014 haja uma saída em massa de trabalhadores para as cidades sede e esse índice se acentue ainda mais.

Visando esse mercado e a reinserção social de detentos através do trabalho, a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) tem investido, por meio de parcerias, na qualificação da mão-de-obra prisional.

“É necessário dar condições para que os reeducandos possam ser inseridos no mercado de trabalho e, de forma digna, garantirem o seu sustento e de sua família, o que deverá evitar a reincidência criminal”, ressalta o diretor-presidente da Agepen, Deusdete Souza de Oliveira Filho. “Uma de nossas prioridades é oferecer a qualificação profissional em áreas que tenham uma grande demanda de mão-de-obra, como é o caso da construção civil, dando mais oportunidade de emprego aos internos”.

Atualmente, está em andamento o projeto “Colher na Massa” – uma parceria entre a Agepen e a Central de Execução de Penas Alternativas (Cepa) que leva qualificação profissional a reeducandos em regime semiaberto do Centro Penal Agroindustrial da Gameleira nas áreas de pintor predial e pedreiro. Está prevista, inicialmente, através do projeto, a capacitação 64 reeducandos, divididos em quatro turmas de ensino.

O curso envolve aulas teóricas e práticas e é desenvolvido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Os internos estão sendo qualificados a realizarem desde o orçamento à finalização do serviço, além de participarem de disciplinas tranversais, abordando noções de legislação trabalhista, empreendedorismo, segurança do trabalho, tecnologia da informação e comunicação,  e educação ambiental. São 176 horas/aulas para o curso de pedreiro e 96 para pintor predial.

O projeto é custeado com recursos da Central de Execução de Penas Alternativas (Cepa), provenientes da aplicação de penas pecuniárias, num investimento de 70 mil reais, segundo o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul.

Já em fase de participação nas aulas práticas do curso para pintor predial, o reeducando E.L.D., 19 anos, vê na capacitação uma oportunidade de se tornar um profissional respeitável. “Tenho certeza que vou sair daqui reintegrado, pois acredito que não terei dificuldade de arrumar um serviço como pintor”, garante. “Várias pessoas que estão fazendo esse curso comigo também estão pensando assim”. 

Para o interno J.C.S.M., 21 anos, que trabalhava como jardineiro antes de ser preso, aluno do curso de pedreiro, acredita que atuar na área de construção civil poderá ser render uma remuneração compensatória. “Como está faltando trabalhadores, os profissionais contratados são bem pagos”, espera.

Resultado

A iniciativa de preparar reeducandos para o mercado de trabalho na área de a construção civil já vem colhendo resultados positivos. Capacitados  pelo projeto Construindo Liberdade – realizado no ano passado pelo Governo do Estado – que envolveu a preparação de detentos para atuarem como pedreiro, carpinteiro e pintor, estão inseridos do mercado de trabalho.

Somente em uma empresa de engenharia que atua na capital estão trabalhando atualmente 17 reeducandos. L.S.D., 33 anos, é um dos capacitados pelo “Construindo Liberdade” que está trabalhando para a empresa. Ele conta que iniciou no trabalho quando estava em regime semiaberto e agora, já em regime de livramento condicional, teve a carteira assinada pela empresa e foi promovido a chefe de betoneira. “Sou eu quem cuida da quantidade de massa que vai ser usada, conhecimento que recebi no curso”, informa.

Para L.S.D., o trabalho é uma forma de sustentar a família. Casado e pai de três filhos, a capacitação representou uma oportunidade para recomeçar. “Com o que eu aprendi no curso, e a experiência que estou tendo aqui, com certeza conseguirei sempre sobreviver do meu trabalho com dignidade”, acredita.

Segundo o engenheiro José Schroder Campos, responsável pela obra onde os internos estão atuando, a empresa deverá aumentar o número de reeducandos trabalhando no local. “Já solicitamos ao Conselho da Comunidade mais seis trabalhadores”, informou. Conforme o engenheiro, a previsão é que também sejam aproveitados reeducandos que tenham sido capacitados como eletricista, assim que for iniciada a parte de instalação elétrica da obra.

Fonte: Redação


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