CREA-MS cria equipe para analizar problema na Av. Ceará

Segunda-feira, 22 de março de 2010

CREA-MS cria equipe para analizar problema na Av. Ceará

Segunda-feira, 22 de março de 2010

Confira abaixo um artigo divulgado pelo Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Mato Grosso do Sul (CREA-MS) sobre os problemas causados no crusamente entre as avenidas Ceará e Ricardo Brandão em decorrência das chuvas fortes do último dia 27 de fevereiro.

O Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Mato Grosso do Sul (CREA-MS), em decorrência da erosão ocasionada pelas fortes chuvas no dia 27 de fevereiro, formou uma Comissão integrada por engenheiros, arquitetos e engenheiros agrônomos -representantes de entidades de classe e professores universitários -buscando apontar soluções técnicas para o problema ocorrido na Avenida Ricardo Brandão, esquina com a Avenida Ceará, nesta Capital.

O Crea-MS, as entidades de classe e as universidades, cumprindo seu papel de defesa da sociedade sempre estarão à disposição do poder público e da população para colaborar de forma técnica em questões que envolvam a engenharia, arquitetura, agronomia, geografia, geologia e meteorologia. Todo o processo de recuperação daquele trecho, está sendo acompanhado pela Comissão, que vem apoiando com conhecimentos e experiência técnica, de forma a proporcionar o restabelecimento moral e social das pessoas que utilizam as vias e, principalmente, aquelas que residem na região.

Após inúmeras reuniões para a coleta de dados e sugestões técnicas, a Comissão apresenta a seguinte manifestação:

O QUE ACONTECEU?

No dia 27 de fevereiro de 2010, houve em Campo Grande, MS, uma precipitação acima da capacidade de captação e escoamento das águas pluviais devido aos pontos de estrangulamento que temos nos cruzamentos da Rua Dr. Paulo Machado com Avenida Afonso Pena e Avenida Ricardo Brandão com Rua Ceará.

Devido às chuvas intensas, de vários dias, o solo ficou bastante encharcado não conseguindo absorver nem parte das precipitações.

A região do Parque Sóter/Prosa recebe uma grande demanda de águas vindas da região dos Bairros Carandá Bosque, Vila Margarida, Autonomista, Santa Fé, Chácara Cachoeira e Miguel Couto, onde ocorreu o ponto forte das chuvas e devido à ocorrência de uma precipitação de 88mm em uma hora e vinte minutos não houve tempo de retenção dessas águas.

O lago do Parque das Nações Indígenas que, aparentemente, poderia fazer o papel de captação e retardamento no escoamento, não tem função de armazenamento, pois ele não tem comportas de fundos. Acreditamos que hoje o lago está retendo areia, que é carreada via córrego Prosa, pois o fundo e laterais, como é de conhecimento público, foi impermeabilizado. Atualmente a função desse lago é somente ornamental. Portanto, é necessário que ele permaneça abaixo do seu nível de transbordo para poder funcionar como armazenamento de água quando das altas pluviosidades.

Outro fator que acreditamos ter contribuído para esta grande erosão, foi que as escavações para execução das obras já tinham sido iniciadas no local, estando com os aterros já bastantes abalados, e em grande parte removidos. Com a força das águas e o local em obras a enxurrada levou todo o restante do aterro com muita força e rapidez.

O corpo técnico da Prefeitura estava estudando qual a melhor obra a executar naquele local para não comprometer a Rua Ceará e o Condomínio Cachoeirinha, quando as chuvas de alto tempo de recorrência ocorreram em pouco tempo, pegando o solo encharcado de outras chuvas e o solo da obra sem proteção alguma.

O mais importante disso tudo, é que não ocorreram mortes, e agora o poder público deve agir e executar as obras que as equipes técnicas definirem como prioridades.

Remediar também é prevenir outros infortúnios. Prevenir agora e já, pois a natureza mostrou que age sem aviso prévio.

AÇÕES EMERGENCIAIS REALIZADAS PELA PREFEITURA E APOIADAS PELA COMISSÃO:

Desobstrução do canal e dos tubos ARMCO para dar vazão às águas caso ocorram novas precipitações de grandes volumes.
Fazer as contenções necessárias para não colocar em risco a integridade física e patrimonial dos moradores do condomínio Cachoeirinha.
Definir e executar as obras de caráter definitivo levando em consideração as obras complementares em todos os pontos críticos da cidade de Campo Grande.

FATORES QUE PODEM CONTRIBUIR PARA QUE NÃO OCORRAM CATÁSTROFES EM PERÍODOS DE ALTAS PRECIPITAÇÕES:

Realizar amplo programa de conscientização da população no sentido de acomodar os lixos devidamente embalados, em lixeiras padronizadas a altura de um (01) metro do chão, evitando assim que cães abram os sacos e o lixo caído no chão seja arrastado para dentro dos cursos d’água.
Construção de caixas de areias antes das bocas de lobo, sua manutenção e limpeza.
Em alguns locais da cidade, retirar pontos de estrangulamento da passagem das águas pluviais.
Manutenção das tubulações ARMCO em razão de corrosões que estão acontecendo devido à má utilização das tubulações de águas pluviais, podendo conter despejo de esgotos clandestinos.
Verificar a Carta Geotécnica para então estabelecer critérios mais rigorosos no tocante às áreas de permeabilidade dos solos.
Criar um departamento Técnico de Micro e Macro Drenagem na Prefeitura de Campo Grande.
Construção de lagoas de retenção nos Parques Sóter e das  Nações Indígenas , objetivando a retenção e  diminuição  da velocidade de escoamento das águas.
Fazer a captação das águas pluviais nas marginais dos córregos, visto que as proteções laterais feitas por gabiões não podem sofrer transbordo lateral, pois ocasionam o seu desmoronamento.
No córrego Sóter, devido a sua grande área de abrangência de captações das águas pluviais, executar barragens ao longo do seu trajeto, com vertedouros bem dimensionados, para exercer a função de retenção das águas para que não haja estrangulamento em pontos críticos na região do Shopping Campo Grande.

SUGESTÕES PARA A SOLUÇÃO DO PROBLEMA

1.   Verificação do Plano de Drenagem Urbana da cidade de Campo Grande-MS.
2.   Consulta à Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), quantos aos índices utilizados para os cálculos, visto que estão ocorrendo precipitações acima da média histórica.
3.   Implementar inspeções periódicas em toda a malha de tubulações de águas pluviais inclusive os cursos d’água, tubulões ARMCO e de concreto, assim como as galerias principais dos córregos que estão à montante e à jusante, ao longo das áreas urbanas. Que estas inspeções sejam realizadas por corpo técnico e em tempo hábil para assim possibilitar a realização de reparos pelos órgãos públicos e privados antes da época de precipitações pluviométricas, incluindo-se construções particulares, pois a inspeção pode detectar não conformidades, tais como contribuição de esgoto em tubulações pluviais e ou situações que uma ação privada (lixo, entulho de obra, e outros), possa estar em situação irregular e contribuir para o entupimento de tubulações de escoamento e assorear os cursos d’água.
4.   Fiscalização Preventiva e Integrada a quem de direito, em prazos mais curtos, com periodicidade contínua, no sentido de agir como fiscalização e mecanismo de regulação.
5.   Valorizar e apoiar os excelentes profissionais que atuam nesta área específica.
6.   Executar os projetos necessários para o bom funcionamento das captações de águas pluviais, tendo em vista que estão ocorrendo precipitações muito acima da média histórica.

Assinam:

Engenheiro agrônomo Felipe Augusto Dias – Universidade Católica Dom Bosco -UCDB
Engenheiro agrônomo Jânio Fagundes Borges – Presidente da Associação Sul-Mato-Grossense de Engenheiros Agrônomos (AEAMS)
Engenheira civil e Seg. Trabalho Elizabeth Spengler Cox de Moura Leite - Presidente da Associação Nacional de Engenharia de Segurança do trabalho (ANEST)
Engenheiro civil Edison K. Shimabukuro - Presidente do Sindicato dos Engenheiros no Estado de Mato Grosso do Sul (SENGE-MS)
Engenheiro civil Neimar de J. Alves dos Santos – Presidente do Instituto Brasileiro de Avaliação e Perícias da Engenharia (IBAPE-MS)
Engenheiro civil José Carlos Ribas – vice-presidente Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Campo Grande (AEACG)
Engenheiro civil Jorge Gonda – Professor aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS)
Engenheiro civil  Jary de Carvalho e Castro – Presidente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Mato Grosso do Sul (CREA-MS)
Arquiteta Milena Adri – Presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-MS)
Engenheiro Domingos Sahib Neto – Presidente do Instituto de Engenharia de Mato Grosso do Sul (IEMS)

Fonte: Redação - com informações do Crea-MS


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