Quarta-feira, 8 de abril de 2020
Área administrativa
Busca de imóveis
Busca detalhada Busca no mapa Imobiliária/Corretor
Cliente infoimóveis

Administre seus imóveis no site.

Área administrativa

Notícias

Confira notícias do ramo imobiliário
+ - Tamanho da fonte
Segunda-feira, 16 de março de 2020

Novo crédito imobiliário com juros fixos da Caixa: Fique por dentro

O comprador de um imóvel de R$ 500 mil que optar pela nova modalidade de financiamento imobiliário da Caixa Econômica Federal com taxa de juros prefixada pagará, ao fim de 30 anos, até R$ 57 mil a mais do que se tivesse optado pelo sistema com correção pela inflação (IPCA), ou R$ 35 mil a mais do que o modelo tradicional, que considera como indexador a Taxa Referencial (TR). Os cálculos são de Michael Viriato, professor de Finanças do Insper. 


A Caixa anunciou uma linha de crédito para financiar a casa própria com taxa fixa de 8% a 9,75% ao ano. A vantagem é que o tomador de crédito sabe que os juros não vão mudar até o fim do financiamento. Hoje, nas outras linhas disponíveis, as taxas variam conforme a TR ou a inflação. Mas a desvantagem da nova linha de crédito é que os juros são mais altos.


Caso escolha o financiamento com taxa fixa, o valor da prestação será maior. Quando a opção for por parcelas baseadas na TR, os juros serão de 6,5%, ou pelo IPCA, de 2,95%. Nesses dois últimos casos, porém, os valores poderão ser alterados ao longo dos anos, conforme a variação desses indicadores.


A nova linha vale para imóveis residenciais novos ou usados, com financiamento de até 80% do valor total do bem e prazo de até 360 meses (30 anos) para pagar. As contratações estarão disponíveis a partir de sexta-feira. As taxas são menores para o comprador que optar por prazo menor de financiamento. Para clientes que já têm conta na Caixa, os juros variam de 8% a 9,5% ao ano. Para quem não é cliente da instituição, a taxa é de 9,75% ao ano.


Para Michael Viriato, professor de Finanças do Insper, embora os juros praticados nesta modalidade sejam mais altos do que os de outras opções disponíveis no próprio banco, o modelo oferece maior segurança ao tomador de crédito, já que não haverá surpresas futuras com a variação de indexadores nas prestações.


"A primeira questão é se esta prestação para financiamento do imóvel cabe no meu bolso. Se você vai tomar um crédito de 20, 30 anos, não saber o que vai pagar no futuro é ruim. Esse é um risco que se corre ao captar o empréstimo com indexador de IPCA. A inflação, em dezembro, subiu mais do que o esperado, embora não haja perspectiva de curto prazo para a aceleração de preços. Por outro lado, ao contratar a nova linha, o comprador já sai pagando mais caro, com taxas muito acima das que têm sido praticadas pelo mercado depois da queda da Selic", ponderou Viriato.


Johnny Silva Mendes, professor de Economia da Faap, observa que, na linha de crédito com correção pela inflação, o índice de preços teria que quase dobrar para alcançar o percentual que a Caixa oferece com a linha prefixada. Na avaliação dele, o lançamento da nova modalidade foi um movimento para tentar estimular a concorrência entre os bancos.


O professor lembra ainda que um número expressivo de mutuários têm contratos mais antigos firmados quando as taxas de juros praticadas estavam mais elevadas. Para Mendes, a modalidade poderá ser considerada uma opção num processo de portabilidade (migração) de clientes de outras instituições financeiras:


"É muito mais uma sinalização ao mercado do que necessariamente uma oportunidade para quem está prestes a concretizar novos contratos", afirmou Mendes.


O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins, acredita que financiamento imobiliário atrelado à inflação, que já corresponde a um terço do crédito imobiliário, oferece um potencial risco de operação ao consumidor. Por outro lado, com a taxa fixa, o risco é de quem financia o bem.


Ele lembrou que a fonte de financiamento da linha é o próprio caixa do banco, que liberou somente R$ 10 bilhões para essas operações, enquanto que o crédito disponível com recursos da poupança chega a R$ 100 bilhões, e via FGTS, a R$ 60 bilhões.


"É o início de uma entrada quase ilimitada de recursos para crédito imobiliário, o que é muito bom para o setor. Os outros bancos terão que correr atrás dessas condições de financiamento", afirmou Martins.


Claudio Hermolin, presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-RJ) e presidente da Brasil Brokers, acredita que a medida tem potencial para aumentar o número de operações de compra de imóveis por meio de financiamento imobiliário. Hoje, 65% dos compradores usam financiamentos imobiliários na aquisição da casa própria.


Hermolin avalia que a iniciativa tem potencial de estimular a oferta e a aquisição de crédito no setor, mas lembra que a retomada de um ciclo de crescimento sustentável do mercado imobiliário dependente da recuperação mais consistente de indicadores macroeconômicos, como emprego e renda.


"Todas as iniciativas de estímulo a crédito no mercado imobiliário são bem-vindas. O mercado é muito dependente de crédito por tratar-se de um produto de alto valor agregado. É uma retomada mais lenta para o consumidor final, que depende de segurança financeira para assumir uma dívida de longo prazo. Quando finalmente consegue um emprego, esta pessoa vai consumir o restaurante, voltar a comprar uma roupa, fazer uma viagem, mas vai precisar ficar dois anos empregado e se sentir seguro para fazer o investimento num imóvel", afirmou Hermolin.


Veja a simulação:


Valor: R$ 500 mil
Em 30 anos


Tabela SAC


Taxa prefixada (9,5%*)
Prestação inicial: R$ 5.184,44
Prestação final: R$ 1.399,43
Valor final: R$ 1.185.135,97


IPCA


Prestação inicial: R$ 4.869,18
Prestação final: R$ 1.398,56
Valor final: R$ 1.128.192,30


TR


Prestação inicial: R$ 4.992,55
Prestação final: R$ 1.398,90
Valor final: R$ 1.150.460,93
*Taxa praticada a cliente da iniciativa privada e com relacionamento do banco

Mais imagens:
Fonte: Redação - Foto: Divulgação