No primeiro trimestre do ano, lembra o Conselho Regional de Corretores de Imóveis no Estado de São Paulo (Creci/SP), a inflação acumulada, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), foi igual a 2,06%. A referência é para ressaltar que, no mesmo período e no mercado paulistano, os preços de imóveis usados aumentaram 18,36%, nove vezes mais do que a inflação medida pelo IPCA, enquanto o aluguel residencial subiu 9,93% (quatro vezes mais).
De acordo com a sondagem do Conselho, o aumento acumulado (janeiro, fevereiro, março) dos preços médios de casas e apartamentos, assim como do aluguel residencial supera com larga margem a inflação apurada também por outros três indicadores: Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que apontou 2,31% de elevação acumulada de preços no período; o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), 2,77%; e o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), 2,44%.
Evolução do preço do m2 de usados e do aluguel - As pesquisas mensais do Creci/SP apontam a evolução no preço médio do m2 dos imóveis usados e do aluguel, nas seguintes proporções: para usados, em janeiro houve elevação de 14,14%; em fevereiro, queda de 1,86%; e em março alta de 5,66%, somando 18,36% no acumulado do trimestre. Na locação houve queda de 2,29% no aluguel médio de janeiro, e altas em fevereiro (9,52%) e em março (2,73%), acumulando 9,93% no trimestre.
"Esses números mostram duas realidades: a carência de imóveis para locação na capital de São Paulo, que naturalmente força a alta do aluguel porque a oferta não atende à demanda; e a recuperação da economia, pois as vendas aumentaram, puxando os preços para cima, mesmo com as restrições representadas pelo financiamento ainda caro para imóveis usados, e praticamente concentrado em um único banco", avalia José Augusto Viana Neto, presidente do Creci/SP.
O crédito para o segmento - ”Em março – comenta o Creci/SP, de fato, o crédito imobiliário no segmento de imóveis usados foi praticamente monopolizado pela Caixa Econômica Federal (Cef). Ela financiou 51,82% dos 253 imóveis vendidos por 431 imobiliárias pesquisadas. Os demais bancos somaram apenas 1,21% do total de vendas. Os financiamentos da Caixa superaram até as vendas feitas à vista, com 46,96% dos contratos assinados nas imobiliárias consultadas. Nestas, não houve registro de vendas por consórcio; ou com pagamentos parcelados pelos proprietários”.
A sondagem do Creci/SP aponta ainda que o índice de vendas de imóveis usados no mercado paulistano evoluiu de 0,5109 em fevereiro, para 0,5870 em março - alta de 14,90%. Os apartamentos foram os campeões de vendas, configurando 61,66% dos imóveis que trocaram de dono, ficando as casas com os restantes 38,34%.